A História da Era Hiboriana – 2ª parte

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Capítulo III – Os Reinos Hiborianos (14.000 – 10.000 A.C.)

1.500 anos depois do pequeno cataclismo que criou o mar interno, tribos de hiborianos morenos rumaram para o leste e para o oeste, conquistando e destruindo pequenos clãs. Mesmo assim estes conquistadores não entraram em contato com as raças mais antigas. A sudoeste os descendentes dos Zhemris procuraram reviver alguma tênue sombra de usa cultura ancestral.

A oeste, os primatas atlantes começavam sua longa escalada de volta à verdadeira humanidade, enquanto ao sul deles os pictos permaneciam selvagens, desafiando as leis da natureza, sem evoluírem ou regredirem. E, mais ao sul, repousava o misterioso reino de Stygia. No extremo leste, clãs de nômades, conhecidos como os filhos de Shem, vagavam pelas terras sem fim, enquanto próximo aos pictos, na fronteira do vale de Zingg, protegidos por uma cadeia de montanhas, um bando de primatas criava um avançado sistema de agricultura e civilização.

É nesse período que surge o primeiro reino hiboriano, o rude e bárbaro reino de Hiperbórea, que teve seu início numa fortaleza de pedra erguida para evitar ataques tribais. Isso fez com que seus habitantes se transformassem de um momento para o outro, de bravos nômades em guerreiros defendidos por muros gigantescos. Durante todo esse tempo, a leste, os lemurianos ergueram uma estranha semi-civilização sobre as ruínas daqueles a quem venceram. Os hiborianos, entretanto, encontraram o reino de Koth, na divisa com as terras férteis de Shem. Os selvagens dessas terras, através do contato com os hiborianos e os estígios, foram lentamente saindo do barbarismo. No extremo norte, o primeiro reino da Hiperbórea era dominado por outra tribo, que manteve o mesmo nome da anterior. A sudeste da Hiperbórea, um reino dos Zhemris começava a se formar, sob o nome de Zamora. Já a sudoeste, invasores pictos se uniram aos agricultores do fértil vale de Zingg.

Esta raça híbrida seria conquistada pela errante tribo de Hibori, sendo que da junção de todos esses elementos surgiria o reino de Zíngara. Quinhentos anos depois, todos os reinos do mundo já estavam claramente definidos. Os reinos hiborianos: Aquilônia, Nemédia, Britúnia, Hiperbórea, Koth, Ophir, Argos, Corínthia e o Reino da Fronteira dominavam o mundo ocidental. Zamora estava a leste e Zíngara a sudoeste destes. Bem distante, ao sul, repousava Stygia, livre de invasões estrangeiras, embora o povo de Shem tivesse chegado a trocar escravos estígios pelos de Koth. Os estígios se dirigiram para o sul do grande rio Styx, também chamado de Nilus ou Nilo, que desemboca nos mares ocidentais.

A norte da Aquilônia estavam os Cimérios, violentos selvagens nunca derrotados por invasores. Descendentes dos antigos atlantes, eles evoluíram mais rápido que seus velhos inimigos, os pictos, nos combates no desértico oeste da Aquilônia. Passados cinco séculos, o povo de Hibori já era senhor de uma imensa civilização, cujo reino mais poderoso era Aquilônia, apesar dos outros também brilharem em esplendor e força.

Ele era supremo sobre todo o mundo ocidental. Ao norte, bárbaros com cabelos dourados e olhos azuis se espalhavam por todo o continente de neve, com exceção da Hiperbórea. Sua terra era chamada de Nordheim e era dividida entre os Vanirs, de cabelos vermelhos, e os Aesirs, de cabelos amarelos.

Mais uma vez os lemurianos entraram para a história, mas sob o nome de Hirkanianos. Na direção oeste, uma tribo criava o reino de Turan, a sudoeste de Vilayet, o mar interno. Mais tarde, outros clãs hirkanianos se estabeleceram em torno da margem oeste deste mar.

Rápido perfil dos povos daquela era: os dominadores Hiborianos, que deixaram de ter cabelos morenos e olhos verdes ao se misturarem com outras raças, porém sem se enfraquecerem; os Shemitas, homens de estatura mediana com narizes pontiagudos, olhos negros e barbas negro-azuladas; as classes dominantes da Stygia, constituídas por homens altos, elegantes e sérios; os Hirkanianos, escuros e geralmente altos; o povo de Nordheim, com pele clara, olhos azuis e cabelos loiros ou ruivos; os Pictos, atarracados, pele muito escura, com olhos e cabelos negros; os Cimérios, altos e fortes, com cabelos negros e olhos azuis ou verdes. Ao sul da Stygia estavam os vastos reinos negros dos Kushitas e do império híbrido de Zimbabo.

Entre Aquilônia e os desertos pictos encontravam-se os Bossonianos, descendentes de Aborígines e Hiborianos. Eles eram guerreiros resistentes e grandes arqueiros, pois sobreviveram durante séculos aos ataques bárbaros do norte e do oeste. Esta foi a ‘Era Nunca Sonhada’, quando os resplandecentes reinos se estendiam pelo mundo como o manto azul sobre as estrelas. Esta foi, pois, a era de Conan.

Capítulo IV – Ascensão e Queda

Cinco séculos após a época do Rei Conan, a civilização hiboriana foi completamente devastada enquanto sua cultura ainda estava em seu apogeu. De certo modo, isso se deveu à ganância e voracidade da Aquilônia. Seus reis, ávidos de poder, conquistaram Zíngara, Argos, Ophir e as cidades ocidentais de Shem.

Até mesmo Koth, Corinthia e as tribos shemitas foram forçadas a pagar tributos aos Aquilônianos e a ajudá-los em suas guerras. Nemédia, que vinha resistindo bravamente por séculos, havia então formado uma aliança secreta com Britúnia, Zamora e Koth, contra o inimigo comum. Mas antes que pudessem reunir seus exércitos um novo inimigo surgiu no oriente.

Reforçados pelos Hirkanianos, os guerreiros de Turam derrotaram Zamora e enfrentaram os Aquilônianos nas planícies da Britúnia. Aquilônia não teve problemas de expulsar os Turanianos, mas a espinha dorsal da aliança Nemédia estava quebrada. A derrota do povo do leste mostrou aos demais o verdadeiro poder Aquilôniano. Zamora foi reconquistada, e seus habitantes perceberam que apenas haviam trocado o jugo oriental pelo ocidental.

Soldados da Aquilônia se aquartelaram ali, para garantir a completa obediência da população zamoriana. Ao norte haviam incessantes disputas na fronteira ciméria entre os selvagens guerreiros morenos e seus muitos vizinhos. Os Nordheimirs, os Bossonianos e os poderosíssimos Pictos.

Por várias vezes os Cimérios chegaram a atacar até mesmo a Aquilônia, não tanto com o propósito da conquista, mas apenas para pilhar e saquear. Entretanto 

Entretanto, por um curioso capricho do destino, foi o crescente poder dos aparentemente inofensivos pictos que destronou os reis da Aquilônia.

Tudo começou quando um sacerdote nemédio conhecido por Arus decidiu aventurar-se no ocidente e catequizar o povo picto na adoração ao deus Mitra. Ele não se abalou ao escutar as trágicas histórias de comerciantes e exploradores que jamais voltaram do oeste. Por muitos anos os pictos vinham tendo contato com a civilização hiboriana, apesar de resistirem ferozmente à qualquer tentativa de aproximação. Viviam em clãs que guerreavam entre si com freqüência.

Seus costumes bárbaros e violentos eram chocantes para um homem civilizado, como Arus, da Nemédia. Arus teve sorte de encontrar um chefe de inteligência acima do normal, chamado Gorm, que lhe permitiu ficar entre os seus com vida. Foi um caso único na história dos pictos, e teria sido melhor para a civilização hiboriana se o sacerdote tivesse sido dizimado de início. Tendo aprendido rapidamente o idioma picto, Arus pode convencer Gorm das verdades eternas de Mitra sobre direito e justiça.

O sacerdote prometeu imensas riquezas materiais aos adoradores do grande deus. Para provar seus argumentos, descreveu o esplendor dos reinos hiborianos, que tudo deviam a Mitra. Falou sobre ricas cidades, férteis planícies e torres incrustadas de jóias. Gorm, com o instinto infalível dos bárbaros, desprezou os ensinamentos religiosos e se concentrou apenas no aprendizado da luta e da conquista. Ali, naquela mística cabana de vime, onde um sacerdote vestido de seda pura tagarelava enquanto um chefe bárbaro sonhava com riquezas, foram estabelecidas fundações do império picto.

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